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Os Tempos da Fotografia – O Efêmero e O Perpétuo – Boris Kossoy

Os Tempos da Fotografia: o Efêmero e o Perpétuo, a mais recente obra do destacado teórico e historiador da fotografia brasileira, complementa a trilogia iniciada com Fotografia & História e Realidades e Ficções na Trama Fotográfica, títulos de grande repercussão entre historiadores, cientistas sociais e estudiosos da comunicação, que ganharam novas edições em 2001 e 2002 pela Ateliê Editorial.
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Os ensaios estão reunidos em três partes. No texto que abre a primeira, “Teoria e Metodologia”, Kossoy centra o foco no papel cultural da fotografia, “seu poderio de informação e desinformação, sua capacidade de emocionar e transformar, de denunciar e manipular”, e destaca vertentes de investigação nos estudos da expressão fotográfica, na busca de interconexões teóricas nesse campo.
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A meta do autor nessa trilogia é a desmontagem da informação. Aqui, explicita os eixos em que se desenvolvem seus fundamentos teóricos e se detém nos códigos formais e culturais que permeiam as imagens, no aparente e no oculto das representações, e nos métodos de decifração de seus conteúdos. Retoma questões tratadas nos livros precedentes e reafirma a complexidade epistemológica da imagem fotográfica enquanto representação e documento visual – registro obtido a partir de uma construção elaborada técnica, cultural, estética e ideologicamente: uma ambigüidade fundamental. Volta a enfatizar o componente ficcional inerente à produção e à leitura da representação fotográfica, base de processos de construção de realidades, caminho por onde se constroem as tramas das imagens, além da verdade iconográfica.
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Ainda na primeira parte, Kossoy reafirma a proposição de um amplo rastreamento dos fotógrafos anônimos do passado, “compromisso básico por propiciar um real conhecimento da expansão da fotografia pelo interior do país”. Uma contribuição ao resgate e identificação das fontes fotográficas e, por conseqüên­cia, ao preenchimento de lacunas na historiografia e nos próprios arquivos.
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A segunda parte, “Imprensa e História”, destaca a atividade de Hildegard Rosenthal, uma das pioneiras do fotojornalismo entre nós; como outros fotógrafos estrangeiros, trouxe indelével contribuição a essa área que apenas ensaiava os primeiros passos no Brasil. Outro tema é a imprensa no Estado Novo, as restrições e omissões das informações relativas aos conflitos na Europa e as possibilidades de resistência através das imagens em tempos de autoritarismo.
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A terceira, “Imaginário e Memória”, traz reflexões que se fundem pelas fronteiras tênues da realidade e representação, os tempos da fotografia. Sua gênese, volátil como o próprio fato que registra: tempo da criação; e sua permanência definitiva, que preserva a aparência do ser: tempo da representação, uma segunda realidade.
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Boris Kossoy é fotógrafo, mestre e doutor pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP. É autor de inúmeros artigos e livros no Brasil e exterior. Pela Ateliê, além da trilogia, publicou A Imprensa Confiscada pelo DEOPS – 1924-1954, com  Maria Luiza Tucci Carneiro.
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