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Estudo destaca importância e atualidade de As Mil e Uma Noites

Na Senda das Noites: Os Quatro Talismãs de Charles Nodier e Les mille et une nuitsChristiane Damien
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Os contos maravilhosos de As Mil e Uma Noites fazem parte do cânone literário do Ocidente. As narrativas das Noites encaixam-se em torno de um eixo condutor, cumprido por Sherazade, a filha do vizir, que posterga a própria morte, decretada pelo rei Sahriyar, seu esposo, contando-lhe, todas as noites, curiosas histórias.
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Estas histórias foram introduzidas na Europa no início do século XVIII, traduzidas pelo orientalista francês Antoine Galland (1646-1715). Em seu trabalho, Galland não somente seguiu a concepção de sua época de adaptar a obra para o gosto francês como também inseriu novas histórias em sua versão que não pertenciam ao original, de modo que suas Les Mille et Une Nuits não se constituíram como um retrato fiel das Noites árabes. A tradução teve enorme sucesso desde a publicação, divulgou as narrativas das Noites por todo o Ocidente que, seduzido pelos encantos de outra civilização e cultura, muito diferentes da cristã, inspirou novas traduções e inúmeras produções literárias.
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No século XIX, muitos autores românticos buscaram enriquecer sua imaginação nas cores do maravilhoso oriental, como Charles Nodier (1780-1844), iniciador do fantástico francês, que registrou seu interesse pelas Noites em seus textos teóricos e literários. Em Na Senda das Noites – Os Quatro Talismãs de Charles Nodier e Les mile et une nuits, volume baseado em sua dissertação de mestrado, Christiane Damien faz um estudo comparado que esmiúça semelhanças entre um conto de Nodier (“Os Quatro Talismãs”) e algumas histórias das Noites traduzidas do manuscrito árabe por Galland e mais duas narrativas ausentes no manuscrito que foram incluídas pelo orientalista em sua versão: “História de Aladdim ou a Lâmpada Maravilhosa” e “História do Cego Baba-Abdalla”. A análise de elementos, como a técnica narrativa, os temas e os motivos das histórias, atestam não somente as apropriações de Nodier a partir de Les Mille et Une Nuits, mas também a própria originalidade do autor, que transforma o modelo das histórias provindas das Noites e das narrativas inseridas por Galland, criando, assim, um conto peculiar. Mas a autora vai além da simples comparação entre as obras, desenhando todo um conjunto de relações interiores e exteriores a ambos os textos.
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“Evidencia a importância e a atualidade de As Mil e Uma Noites como modelo para a literatura ocidental, modelo esse que perdura, se perpetua e orienta o desenvolvimento de tramas entrelaçadas, até mesmo em bemsucedidas telenovelas brasileiras. […] Cristiane nos oferece em seu livro um bom exemplo de que ideias e ideais de diversas sociedades, permutados, com respeito mútuo, astúcia, inteligência e imaginação, podem prenunciar um advir de tolerância e de boa convivência, afastando, de vez, a saga da morte, prenunciada para a noite seguinte”, anota no prefácio o arabista João Baptista M. Vargens.
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Mestre em Língua, Literatura e Cultura Árabe pela Universidade de São Paulo, Christiane Damien é membro do Grupo de Tradução e Pesquisa de filosofia Árabe e História do pensamento da mesma universidade. Tem pesquisas publicadas pela revista “Tiraz” e pela “Revista de Estudos Orientais”.
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