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Ateliê lança coletânea de ensaios de “pós-crítica”

Criação e Conflito – Celeste Ribeiro de Sousa (org.)

Todos os indivíduos possuem criatividade em maior ou menor grau. Todos têm capacidade de representar o mundo onde estão inseridos. Todavia só alguns conseguem dar forma concreta a essa criatividade, transformando-a em criação. E também só alguns alcançam o reconhecimento público de suas criações.

No caso da literatura, delinear com precisão esse diferencial, isto é, determinar na escala, que vai do grau zero à máxima potenciação da linguagem, o lugar onde o texto (escrito ou oral) se encaixa, tem sido há séculos a tarefa da teoria e da crítica literárias. Diz-se que a ficção não é senão realidade passada pelos filtros da arte, ou, como Ezra Pound, que “grande literatura é simplesmente linguagem carregada de significado ao máximo grau possível”. Houve tempo em que a especificidade do poético encontrava-se prescrita em tratados designados de “poéticas”.

As coisas ficam, porém, menos transparentes, quando se traz à baila o fenômeno da contracultura do final dos anos de 60, que subverte os valores cultivados até então e que ainda ecoam em nossa época, obrigando a trazer para o campo da discussão outras áreas de saber, entre elas, a da propaganda, da história, da sociologia da literatura e da arte, do mercado editorial ou artístico, dos estudos culturais. Passa a considerar-se, por um lado, a existência da assim chamada “alta literatura”, aquela que, segundo uma parte dos críticos e acadêmicos, continua a responder à definição de Pound, e, por outro, a “literatura de entretenimento”, a englobar os best-sellers que, de modo geral, reproduzem o status quo e, por isso, sua leitura é acessível às massas.

Entre esses dois marcos principais há uma infinita gradação de valores que atende a designações de, por exemplo, literatura engajada, literatura feminina/feminista, literatura de minorias, literatura do cárcere, literatura do holocausto, de fronteiras e naturezas conflituosas, a dependerem da propaganda e dos interesses econômicos e estéticos de editores, que até hoje suscitam controvérsias e discussões sem fim.

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