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06/07/2010

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Ateliê lança newsletter mensal com sorteio

21/06/2010

Clique para ler a Newsletter de Maio

No intuito de manter informados todos aqueles que acompanham a editora, a Ateliê Editorial passará a publicar uma newsletter mensal, contendo o resumo de notícias, lançamentos, e eventos de cada mês. Além disso, a newsletter terá matérias sobre assuntos diversos como arte, literatura, design, fotografia, arquitetura e poesia. Estarão em pauta também os temas que interessarem ao público da Ateliê. [Sugira temas aqui]

A assinatura da newsletter pode ser feita pelo site da Ateliê ou clicando diretamente neste link. Basta preencher o formulário com seu nome, região, email e outras áreas de interesse.

Todos que assinarem a newsletter nessa semana concorrerão ao livro Semiótica da Arte e da Arquitetura, de Décio Pignatari, que será sorteado na próxima sexta, dia 25. Na sexta-feira, antes das 18hs, a Ateliê enviará um email para o ganhador parabenizando-o e divulgará o resultado do sorteio pelo twitter.

Em caso de dúvida, você pode mandar um email para contato@atelie.com.br ou uma mensagem direta para o twitter da Ateliê Editorial.

Coletivo Angú – Teatro que se diferencia pela urgência do assunto

18/06/2010

Após sete anos de estrada, três peças no repertório, o grupo consolida linguagem e linha estética próprias, ganhando reconhecimento nacional

“É lindo!”, entre todas as críticas e elogios que o ator Fábio Caio esperava ouvir depois da estreia da peça Angu de sangue (2004), esse era o único comentário inesperado. “A gente se perguntava se as pessoas iam sair de casa para assistir a um espetáculo com esse nome indigesto”, confessa Fábio. A encenação, baseada no livro homônimo do autor pernambucano Marcelino Freire, trata de violência urbana, miséria e outros temas estampados nas manchetes dos jornais. Durante os dois meses da primeira temporada, as arquibancadas do teatro Hermilo Borba Filho, no Recife, ficaram cheias. Para Marcondes Lima, diretor da montagem, um novo filão foi descoberto. “O diferencial do nosso teatro é a urgência dos assuntos”, afirma.

Hoje, os integrantes do grupo – que agora se chama Coletivo Angu de Teatro – comemoram. São três peças no repertório em apenas sete anos, o reconhecimento nacional e a consolidação de linguagem e linha estética próprias. [Clarissa Falbo – Continente Online]

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Angu de Sangue – Marcelino Freire

Em seu primeiro livro de contos, Marcelino Freire faz um retrato realista e inusitado do submundo das grandes cidades. Os protagonistas são violentados pelas dores e frustrações de uma sociedade injusta, que os estigmatiza. O autor aborda a realidade dos conflitos urbanos sem demagogias, escapando de uma armadilha comum da ficção social: a sentimentalização da miséria. Seus contos “irradiam uma terceira dimensão que ainda nem tivemos tempo de decifrar”, segundo o escritor João Gilberto Noll.

Marcelino Freire e Lirinha batem papo sobre música e poesia

16/06/2010

José Paes de Lira (Lirinha) e Marcelino Freire se encontrarão no próximo sábado para um bate-papo sobre poesia e música. No evento Parcerias: a Voz da Poesia, poetas e compositores conversam e tocam poemas musicados. O evento acontece na Biblioteca Alceu Amoroso Lima e a entrada é franca. [mais informações]

Marcelino Freire é um dos mais criativos autores da nova geração e começou a publicar pela Ateliê Editorial. Publicou Angu de Sangue, EraOdito, BaléRalé e organizou Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século.

José Paes de Lira (ou Lirinha) é mais conhecido como membro do grupo Cordel do Fogo Encantado, onde atua como vocalista, percussionista e compositor. Compôs trilhas para teatro e cinema, e ganhou em 2007 o prêmio de melhor compositor pela APCA. Sua estreia no teatro aconteceu com o espetáculo solo, baseado no livro Mercadorias e Futuro. Trata-se da história do vendedor de livros Lirovsky, cuja tarefa é “vender poesia, vender o sublime, pregoar o invisível, botar preço no que não tem preço”.

Histórias de Banheiro, de Dirce de Assis Cavalcanti, no Jornal do Comércio

15/06/2010

Release

Poesia por dentro e por fora

15/06/2010

Igor Fagundes – Jornal Rascunho

Depois de Interior Via Satélite, ou ainda agora, em seu não ultrapassado instante, a crítica inquietamente se pergunta em que medida atinge o interior de um livro mantendo-se fora dele; em que medida, satélite, se faz via de proximidade extrema com o que persiste longe; em que medida, estrangeira, da geologia de um livro revela-se íntima; em que medida, íntima, se contradiz uma vez mais estrangeira, pois, afinal, “estar perto da própria coisa não está longe do extravio”.

Em que medida parece a pergunta e a resposta de uma obra debruçada nos limites do próprio limite, daquele ínterim no qual as coisas começam, dimensionam-se e esboçam seu suposto fim que as distingue quando em fronteira com as demais; quando, no além do limítrofe, cada coisa encontra o abismo como o seu princípio e, de pequenas, passam a infladas e inchadas de grandeza. No fronteiriço, em que, antes de apartadas, encontram-se unidas, o que as inscreve fora duma da outra comemora o mútuo pertencimento: a segunda é parte da primeira e vice-versa, num círculo de cores investido de inclusões recíprocas onde toda exterioridade culmina ilusória, pois necessariamente dentro de outra e de outro plano que, por sua vez, paira dentro de algum, também, nunca fora de, na medida em que (sempre na medida em que) todos se erguem dentro de uma misteriosa abertura, telúrica e originária, a qual, fora de qualquer medida, pode conceder todas ao conceber-se como o único dentro (im)possível: “o poema é o ponto que suspende esse tecido/ que edifica em torno o vazio que dá abrigo/ à urgência da terra e à possibilidade/ de perder-se nas encruzilhadas”.

Não estranha, portanto, que a obra de Marcos Siscar nos suspenda e nos lance nas encruzilhadas de uma escrita que entrecruza prosa e verso de modo artisticamente responsável e jamais modernosamente gratuito, na exploração das alfândegas discursivas que fundam a afundam aquilo que pertence (e não) exclusivamente a um e a outro território de forma e estrutura, arriscando-se apontar o mais essencial – aquilo a que ambos pertencem: não só ao limite a partir do qual se desdobram, mas o ainda-não-limite a que pertence o próprio limite como dobra sem o qual o poético não pode desdobrar-se como a voz do silêncio que é. Segundo os ditames do movimento com que as palavras exibem seu peso em diferentes graus de contundência e leveza, o poeta escreve segundo o ritmo deste corpo gravitacional e dançante (ora flutuante) entre a pausa e a ânsia, entre o salto par ao céu e o raizamento na terra, entre o avanço e o recuo de si mesmo porquanto hesitante de estar dentro ou fora de. Não no que diz respeito apenas ao dimensionamento espacial, mas sobretudo no que (já não) narra o tempo como um antes, agora e depois. Depois e antes, a memória, em Interior Via Satélite desobriga a crítica a uma exterioridade, posto que inviável. Exterior, apenas, o que ficou por criticar-se, esquecido. O livro, então, satélite da crítica, parece “alterar o espaço do visível por adiamento, até reconhecer o invisível que está em jogo no visível”.

Quando o interior da obra entra pelos olhos de quem lê, dela não se escreve o que se mira, mas o que se admira: o que, junto de nós, em nossas juntas, já nos mirou e adentrou para que pudéssemos mirar e adentrar. O que, adentrado, não pode mais ser visto, porque “ver é estar fora do lugar que se vê” e, dentro de onde nada se enxerga, encontramo-nos com a verdade desta cegueira que é o mundo nascido e multiplicado para além da visibilidade. O que nos admira, enfim, e em especial neste livro, é essa persistente falta de alcance do limite em que as coisas dão-se à vista e misteriosamente se encobrem para, paradoxalmente, se mostrarem e nos alcançar. É a revelação de que estamos sempre perto do longe, pois não há mensurável distância para o que, sem-lugar, ou em todos, chama-nos e chama-se Infinito.

[Resenha publicada no Jornal Rascunho na edição de junho de 2010]

Visões da natureza humana dentro e fora do banheiro

15/06/2010

“É preciso muita coragem para dar um livro de contos o título Histórias de Banheiro, já que o possível comprador, ao vê-lo nas prateleiras das livrarias, assim como pode ficar intrigado ou curioso, pode também ficar com o receio de escatologias ou, ao menos, de se ver diante de histórias muito prosaicas. Consequentemente, tenderia a rejeitar a idéia de levar o volume recém-lançado pela Ateliê Editorial para casa. Coragem, porém, é o que não falta a Dirce de Assis Cavalcanti, poeta, escultora, escritora e agora também contista. Uma conquista que eu só não ousaria dizer de ‘mão cheia’ por ser Dirce uma mulher delicada, de beleza frágil e diáfana, com o rosto claro aberto para o mundo por duas janelas verdes, emocionadas e sensíveis, mas também espectrais, como é o caso de todos os olhos verdes.

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OU SERÁ QUE Dirce tem os olhos azuis? Não importa. Importa que são olhos que tudo vêem. A eles nada escapa. Sobretudo no que diz respeito à alma humana. Não é qualquer um que tem este dom, mas, sem dúvida, a autora dessas deliciosas Histórias de banheiros o tem. Ela mesma nos confessa, num de seus textos: ‘Saber olhar é como saber ler. Depois que se aprende nunca mais se volta à inocência primeira. Nunca mais se consegue desligar o botão do conhecimento. Lê-se tudo o que se passa pelos olhos. E com os olhos, vê-se, tudo. Mesmo o que não se quer ver. O que é feio ou o que choca. O que fere, o que tenta, o que agride, o que seduz. Tudo, pelos olhos adentro. As pessoas, a paisagem. O carro que passa. O céu por detrás do vidro da janela. A chuva…'” (Cecília Costa – Jornal do Commercio)